Autismo

Repetição e as estereotipias do autista: como posso ajudar?

Oi pessoal, boa tarde!

Em homenagem ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo trago para vocês um assunto bastante discutido entre o terapeuta e os pais de crianças autistas… a tendência à repetição.

Os autistas, na sua grande maioria, apresentam padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades, manifestados por pelo menos três maneiras:

1º Comportamentos motores ou verbais estereotipados, ou comportamentos sensoriais incomuns;

2º Excessiva adesão/aderência a rotinas e padrões ritualizados de comportamento;

3º Interesses restritos, fixos e intensos.

Na prática, isso quer dizer que mudanças e situações novas geram medo, ansiedade, irritabilidade e podem provocar comportamentos repetitivos. Uma simples mudança de caminho para ir de casa até a escola pode ser o motivo para uma crise. Um banho fora de hora pode causar muito estresse. Por isso, os autistas tendem a repetir a mesma rotina, os mesmos rituais e, também, os mesmos comportamentos.

Essa tendência à repetição aparece tanto em respostas motoras como, por exemplo, balançar as mãos, pular, girar objetos, etc., quanto em respostas verbais como, por exemplo, repetir muitas vezes frases que ouviu de alguém ou na TV (apresentando ecolalias tardias); responder às perguntas sempre com a mesma resposta; repetir o que o outro acabou de falar ou o final da frase dita pelo outro (apresentando ecolalias imediatas) e etc.

Os interesses também são repetitivos e restritos. Os autistas verbais costumam falar sempre sobre os mesmos assuntos e ter poucos ou até um único tema de interesse. Assim, essas pessoas querem ler, falar, assistir e ouvir apenas sobre esse tema de interesse, o que atrapalha muito as interações sociais. Afinal, para interagir com outras pessoas é preciso ouvir o que elas querem dizer e não apenas o que queremos ouvir; também é preciso falar sobre o que elas querem ouvir e não apenas sobre o que gostamos de falar e, isso acaba interferindo na sua interação social e adaptação ao meio social.

Com isso, é importante incluir no tratamento e no dia a dia de crianças com autismo que apresentam esse comportamento, técnicas voltadas para o aumento da variabilidade comportamental. Afinal, a ampliação do repertório comportamental favorece a seleção de comportamentos novos e adaptativos. Isso significa que podemos reforçar o variar (respostas novas e respostas diferentes das anteriores) e, com isso, aumentar a variabilidade, ampliando o repertório comportamental da criança.

O terapeuta pode reforçar o variar de diversas formas. Por exemplo, para ampliar a variabilidade verbal, o terapeuta pode fazer uma mesma pergunta ou dar uma mesma instrução várias vezes seguidas e só reforçar as respostas que forem diferentes das anteriores. Por exemplo, pode-se dar a seguinte instrução “Fale o nome de um animal.” várias vezes seguidas e só liberar o acesso ao reforçador quando a criança responder um animal diferente do que ela disse na tentativa anterior. Para gerar maior variabilidade o terapeuta pode exigir uma resposta diferente das 2 anteriores, depois diferente das 3 anteriores, e assim por diante. Pode-se, ainda, estimular comportamentos motores variados no brincar. Por exemplo, numa brincadeira de lego o terapeuta pode estipular que, a cada tentativa, a criança monte algo diferente do que montou na tentativa anterior. Para isso, o terapeuta deve dar a instrução para a criança montar algo diferente e, se necessário, dar o modelo de como variar. Então, finalmente o terapeuta deve reforçar apenas a construção de formas novas ou diferentes das construídas anteriormente. O mesmo pode ser feito na modelagem com massinha ou na construção com blocos.

Além do contexto terapêutico, os familiares e professores também devem estimular a variação nos comportamentos da criança com autismo. Por exemplo, os pais devem se sentar à mesa em lugares diferentes todos os dias, estimulando a criança a fazer o mesmo. Pequenas mudanças na rotina devem ser feitas sempre, para que a criança não fique dependente de uma mesma sequência de atividades. Isso inclui mudar o caminho para a escola; inventar uma refeição fora de hora num local diferente no meio do dia; dar as peças de roupa para a criança vestir numa ordem diferente da que ela está acostumada; mudar móveis de lugar; etc. Na escola, o professor também deve estimular essa variação, mudando a criança de lugar sempre; inserindo atividades não planejadas na rotina; reforçando a variação nas atividades, por exemplo, pintar com cores diferentes, desenhar formas diferentes, modelar algo diferente com a massinha, etc.

Essas são algumas dicas de como se pode ajudar as crianças com autismo que apresentam esse comportamento. Não deixem também de conferir as postagens anteriores sobre autismo que estão cheias de conteúdos e ideias para vocês!

Conto com vocês para conferir os novos assuntos que serão abordados ao longo desta semana!!!

Fonte: http://www.comportese.com/2014/10/autismo-a-tendencia-a-repeticao-e-as-estereotipias (editado)

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